
Não sei até que ponto amadurecer é bom. Me sinto numa pequena embarcação e vejo tudo que eu tanto prezo bem distante, deixado na margem... Isso dói. Não é o fato de desapegar-me ao passado, mas sim ao fato de deixar ir parte de mim, que ao mesmo tempo que é um fardo, é também um consolo.
Agora, vejo mais nitidamente que alguns homens fingem gostar de vulvas, quando na verdade preferem falos. Eles estão em toda a parte! Percebo que isso é bom de certa forma, no entanto me assusta de outra. Por que tantos fingem, porque nos permitimos viver mentiras por tantos anos, por que negamos não só a nossa sexualidade mas também a nossa essência por tantos tempo.
Assim como o Médico que tive a oportunidade de encontrar, existem muitos que vivem mentiras. Uma vida dupla, como um herói de HQ. Tá, podem até não ser mentiras completas, mas não são verdades substanciais. Eles amam as mulheres e os filhos, mas se encontram furtivamente com outros homens, em buscar de serem ativos ou passivos, nesta indecisão interna que nunca se acalma. Para eles, são apenas transas ocasionais e nada significam, mas são traições, mentiras esculpidas na muralha da farça de um casamento sólido e perfeito. Sim, eles tem um casamento estável, mas são eternos quebra-cabeças incompletos.
Eu poderia negar tudo que sou e levar uma vida hétero. Não sou afeminado o suficiente para ser uma bichinha de esquina, posso me disfarçar de hétero e levar uma vida tranqüila, negando tudo que sou. Mas algum dia vou despertar, e ao perceber tudo que sempre neguei, obviamente perceberei que nunca fui completo, pleno. Perceberei que nunca tirei a máscara, nem diante do espelho. Isso pode ser bom ou ruim, depende, mas de fato, não vai ser agradável. Eu poderia citar trechos bíblicos contra o que sou e até me converter a farça de ser o que não sou, mas algum dia aquilo que adormece vem cobrar a omissão que lhe foi imposta, e este dia, é sempre aterrorizante.